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Fable III

Terminei ontem o Fable III.






Da série Fable, eu tinha jogado, e adorado, o Lost Chapters. A comparação foi inevitável, e o Fable III perde de goleada. Mas não é um jogo ruim. Pelo contrário, me diverti bastante com ele, principalmente porque Fable III tem o bom humor característico da série. Mas vamos aos defeitos:

Os gráficos são bem abaixo de outros jogos do Xbox, o jogo é curto, e EXTREMAMENTE fácil.

Mesmo assim, não deixa de empolgar: a história principal é bem bacana, tem vários side-quests (alguns divertidos, outros nem tanto), o modo multiplayer é legal,  e a coisa de poder sempre escolher entre ações boas e más, continua ótima.




Exceto o personagem principal, todos os outros são bem marcantes e carismáticos. Gostei especialmente do 'vilão' inicial da história, o Logan, irmão mais velho do protagonista e rei de Albion. Eles conseguiram dar profundidade pro vilão, e o discurso que ele faz logo após matar um grupo de cidadãos ou sua(seu) namorada(o) - dependendo de quem você escolheu salvar - é épico:



E quando descobrimos o sentido por trás desse discurso, fica melhor ainda. O ator que empresta a voz ao Logan é simplesmente o Michael Fassbender (Bastardos Inglórios, X-Man First Class). O jogo tem elenco de filme hollywoodiano:





Não vou entrar em detalhes, pra não spoilear, mas em determinado momento, é muito importante que você consiga uma soma inacreditável de dinheiro. O jeito mais fácil é cometendo ações ruins, como construir um bordel no lugar de um orfanato, mas, lawful good que sou, dei outro jeito: comprei, uma por uma, todas as lojas, e depois todas as casas do reino inteiro. Ganhei uma fortuna com os lucros e aluguéis! Fica a dica...

Enfim, acho que o jogo vale à pena ser jogado, pela diversão.

Até eu sei que o roteiro de “Fúria de Titãs” é péssimo.


 

Aproveitando o reaproveitamento de textos, vou postar um texto ridículo que escrevi e enviei (olha que vergonha) para o Leandro Saraiva, roteirista, entre outras coisas, das séries “Cidade dos Homens” e  “9mm – São Paulo”, e autor do livro “Manual de Roteiro – Ou ‘Manuel’, o primo pobre dos manuais de cinema e tv”, um dos mais conceituados sobre o tema. Ele pediu esse texto, bem informal e descompromissado, ao final do módulo que ele ministrou na minha pós graduação. Segue o texto:

Filme-Fúria-de-Titãs

Apesar de estar me pós-graduando em cinema, não sou, de maneira alguma, especialista no assunto. Não tenho nenhuma experiência na área. Sou apenas curioso, apesar de um tanto leigo. Eu, assim como todo leigo, sempre vi o cinema moderno, de autor, como um cinema de diretores, em que estes profissionais são pai e mãe das obras. Mas este conceito foi abalado durante o módulo de Roteiro e Direção.

     Vi que o roteiro define (ou pode definir), não só o curso da trama, como todo o resto. A Mise-en-cene, a decupagem (mesmo que apenas sugerindo, e sem fazer decupagem técnica), a iluminação, até a posição da câmera, o ângulo escolhido, a duração da tomada, o gesto de um ator, e outras coisas que eu julgava serem atribuições do diretor. É claro que o diretor tem seu papel, suas responsabilidades e autonomia para filmar do jeito dele, mas ficou em mim a impressão de que o papel de um bom diretor  é filmar da maneira mais fiel possível ao roteiro, como acontece no teatro, em que o diretor procura fazer acontecer o que intencionava o autor da obra. Mas o bom roteiro deve colaborar com o trabalho do diretor, sugerindo modos de falar dos personagens, por exemplo, clima da cena, velocidade, o espaço, a movimentação dos atores, além, é claro, de contar uma boa estória.

    Aproveito pra responder uma daquelas questões enviadas anteriormente (antes eu tinha me sentido um tanto intimidado pra responder). "Aponte uma obra audiovisual que tenha uma boa premissa (uma boa idéia geral) mas que, na sua opinião, tenha um tratamento falho da estruturação do roteiro. Tente dizer onde está o problema (ou problemas), e aponte possíveis caminhos alternativos.".

      Neste fim de semana assisti ao filme "Fúria de Titãs". Não é preciso entender de cinema, nem ter visto o filme original, pra ficar com a nítida noção de que o o roteiro é péssimo.  Senti esse desconforto o filme inteiro. Os personagens são todos pouco desenvolvidos, alguns, que a princípio pareciam importantes acabam não tendo a menor interferência ou utilidade na trama. São todos superficiais, suas ações são incoerentes, os diálogos são fraquíssimos, muitos deles puramente didáticos, para que o espectador entenda o que precisa ser feito ou o que aconteceu, e outros servem de 'comédia', como a fala em que Perseu se refere à medusa como 'Bitch' (vadia, na gíria americana), desprezando todo o contexto histórico, cultural, geográfico em que está inserida a história.

As cenas de ação e os efeitos são, como se esperava, muito bons, embora às vezes também sejam vítimas da falta de lógica que acomete o filme inteiro, como a cena dos escorpiões gigantes, em que não fica claro de onde saíram, e o fato de ,após passarem por tanta coisa para chegarem ao sub-mundo, e ficarmos com a impressão de que será mais difícil ainda sair, Perseu e sua trupe simplesmente aparecerem fora dele na cena seguinte, sem qualquer contra-tempo ou explicação. O roteiro deveria ter sido mais trabalhado, respeitando o roteiro original, que se não era muito bom, ao menos deveria ser melhor que esse. Os personagens deveriam ter sido melhor desenvolvidos, com mais profundidade, para que houvesse alguma empatia com o espectador, pois não há nenhuma. O próprio protagonista gera apenas frustração no espectador, por seu  mal-humor e burrice extrema. Os outros personagens nem isso, pois são quase nulos.

O que deveria ter sido um dos grandes conflitos do filme, sacrificar a princesa Andrômeda (que, se não me engano era o par romântico de Perseu na mitologia, mas que no filme nem chega a falar com ele) ou ter a cidade destruída pelo monstro Kraken, acaba não tendo importância nenhuma, já que Andrômeda pro espectador não representa nada, tendo aparecido muito pouco. Acho que é o exemplo perfeito para responder à esta pergunta.

PS: Graças a Deus não paguei mais caro para ver o filme em 3D, fiquei sabendo que a imagem do espectador é muito prejudicada, e que o efeito 3D inexiste, caso de Procon mesmo.

Resenha: Coração de Tinta

livro-coracao-de-tinta_blog1 

     Só acesso o Skoob quando recebo e-mail avisando que alguem me adicionou etc. Daí aproveito pra atualizar com os últimos livros que li, e de vez em quando dou uma olhada nas resenhas que os outros usuários escreveram sobre esses livros. E só quando todas elas dizem o contrário do que eu penso, é que resolvo escrever minha própria. Fiz isso, e depois resolvi postar aqui também, pra não desperdiçar um texto tão grande, e também porque não atualizava o blog faz tempo.

 

 

De todos os livros que li que viraram filme, o único até pouco tempo atrás que me fez dizer o impensável (de que o filme é melhor) tinha sido As Crônicas de Nárnia, e escrevi uma resenha sobre isso (http://thiabolico.blogspot.com/2009/09/resenha-as-cronicas-de-narnia.html).

Mas agora me deparei com outro caso semelhante. O livro é bonzinho, a história é interessante, e o melhor é que envolve várias outras histórias célebres, mas a autora abusa do direito de considerar que o leitor é burro. Burro pra aceitar as ações e pensamentos completamente retardados em alguns momentos dos personagens. Até a polícia é burra demais pra saber que existem livros raros que valem uma fortuna (essa é a fraca justificativa para a polícia não ter papel nenhum numa história que se passa no 'mundo real', em que homens armados cometem um monte de crimes livremente).

Alguns personagens são interessantes em sua essência, como Mo, alguém que dá vida ao que lê nos livros. Mas são muito mal desenvolvidos, superficiais. O maior vilão da história, Capricórnio, não faz nada de realmente mau durante todo o livro. A autora tenta inutilmente fazer ele parecer assustador, mas esquece de colocar isso nas ações dele, e ele acaba sendo um dos vilões menos assustadores de todos os tempos. A protagonista, Meggie, simplesmente não cativa. O melhor personagem acaba sendo Dedo Empoeirado, que é boa pessoa, mas é egoísta, faz más ações etc, ou seja, tem mais profundidade que os outros. Isso foi bem explorado no filme, mas no livro nem tanto. Até a parte em que ele confronta, contra a vontade, o seu 'criador' é melhor no filme.

Enfim, a autora conseguiu criar uma história muitíssimo interessante (não foi a toa que leu tantos livros), mas por estar iniciando ainda, tem muito o que melhorar no desenvolvimento dessas histórias. Gostei muito das citações no início de cada capítulo, principalmente as de Tolkien e T. H. White. Deixam claro o bom gosto da autora, e também sua humildade, presente desde a dedicatória à sua filha, que largou o Senhor dos Anéis pra ler seu livro.

That’s all folks,
Thiago Henrik.

Kick Ass!


kickass002        Quem é o moleque-doido que nunca pensou em colocar um uniforme style e sair por aí combatendo o crime como o seu super-herói favorito? Eu certamente já o fiz. Por isso que me interessei quando conheci essa HQ (que já virou filme, deve sair em 2010), sobre um garoto fã de quadrinhos (ainda naquela onda nerd), com uma vida bem mais-ou-menos, que resolve comprar uma roupa de mergulho no e-bay e sair chutando a bunda dos criminosos (Kick-Ass, sacou?).

      É claro que ele se fode todo quando faz isso, e aí é que começa a graça. É uma total desconstrução do estereótipo do herói e da sua jornada. Um cara sem super poderes nenhum (nem grana, como o Batman), que acaba descobrindo que a vida real é bem mais cruel que a dos quadrinhos. Cheio de pancadaria sanguinolenta da melhor qualidade, alternada com momentos do total leseira hilária, como se fazer de gay só pra ser amigo da garota mais bonita da classe.

      Baixei os scans, e tomei a liberdade de converter em PDF (acho mais prático que um monte de imagens soltas), e vou disponibilizar aqui pra download (clique nas capas pra fazer o download). Está em RAR pra ficar mais leve. 
      Use a senha ‘www.thiabolico.blogspot.com’ (sem aspas) para descompactar.

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Update (01/02/10): Adicionada a esperada edição 8!

Boa leitura!
Thiago Henrik

Resenha – As Crônicas de Nárnia

 

As Crônicas de Nárnia - Resenha      Desde que fiquei sabendo, há anos, que C. S. Lewis era amigo de J.R.R. Tolkien, fiquei curioso para ler este livro. Demorei a comprar o livro porque é difícil ter 90 reais dando sopa. Só comprei recentemente, quando o encontrei por 30 reais no Submarino.  
      Achei que encontraria algo parecido com a Terra Média, tipo O Hobbit, que é mais voltado para o público infantil. Mas aparentemente Tolkien era um egoísta, e não passou nada da sua genialidade para seu amigo C. S. Lewis. O livro é extremamente pobre se comparado à obra de Tolkien. Nárnia fica devendo pra várias outras terras imaginárias da literatura. Os personagens são pouquíssimo cativantes e a história é entediante em vários momentos. Até aí tudo bem, não foi primeira vez que li um livro ruim. O pior é o que não vem escrito na orelha…

      Vou colar aqui a resenha que escrevi hoje no Skoob (site sobre livros):

Ótimo para crianças, se você quer que elas aprendam que:

- Pessoas de pele escura são más.
- Povos com deuses e costumes diferentes do seu são cruéis.
- Só existe um Deus certo. Pessoas que cultuam outros deuses estão erradas.
- Se os colegas de escola a atormentam, Deus não se importa que você resolva com violência.
- Deus não gosta de garotas que crescem...

                                                             . . .


      Depois de assistir o primeiro filme, fiquei curioso sobre o livro. Achei que seria um grande conto de fadas, com um bom toque de Terra Média, já que Lewis é famoso por ter sido amigo de Tolkien. Mas minhas expectativas foram por água a baixo. Nem a genialidade de Tolkien, nem a magia non-sense presente nos contos de fadas estava nesse livro.

      Toda a trama e todos os conceitos do livro são trabalhados para se encaixarem numa ideologia Cristã ultra-conservadora. Aslam é uma exageradamente clara referência a Jesus Cristo, O Leão de Judá, ou o Cordeiro (formas com que Aslam se apresenta às crianças). "O bom leão, que deu seu próprio sangue para salvar Nárnia inteira." Isso fica mais claro quando você descobre que o país de Aslam é para onde se vai quando morre, e que ele também existe no 'nosso mundo' mas com outro nome.
      Não acharia mal nenhum nisso (também sou cristão), mas o autor faz isso tantas vezes, e de forma tão abusiva que incomoda. O Macaco, vilão do último livro pode ser tomado por um homem que acredita na lógica e na ciência (teoria da evolução), portanto, é mau. O autor coloca em sua boca palavras que, para mim, são corretas, mas que no contexto são mostradas como erradas e enganadoras, como: "Toda aquela velha história de que nós estamos certos e os calormanos errados é pura bobagem. (...) Tash e Aslam são apenas dois nomes diferentes, vocês sabem de quem..."

      Mas o pior é a óbvia discriminação racial presente no livro. Só alguém muito alienado(a) não perceberia as claras afirmações Anti-Árabe ou Anti-Otomanas. O mais cruel, mais vil e ganancioso povo de todos é descrito como um povo de pele escura, de turbante, com palácios atapetados, e que envergam Cimitarras em batalha. É terrível quando você vê um personagem se sentir feliz ao perceber que não é 'moreno' e sim da 'gente loura de Nárnia', como no livro O cavalo e seu menino: “Eram todos com a pele branca, e a maioria deles tinha cabelos louros.”. Até mesmo os personagens brancos são diferenciados pela cor do cabelo, quanto mais louros, mais virtuosos, como Pedro, Lúcia e Caspian. Os de cabelos negros apresentam quase sempre algum desvio de caráter como a inveja ou a vaidade.

      Susana sequer aparece no último livro. Segundo Pedro, ela "já não é mais amiga de Nárnia". Jill explica que é porque "agora ela só pensa em lingeries, maquilagens e compromissos sociais.". Pelo visto, Lewis não gostava de mulheres se não fossem mais criancinhas, ou ainda não fossem inofensivas velhas senhoras.

      Resumindo, Lewis e sua Nárnia tem o cristianismo de J. R. R. Tolkien e a ginecofobia de T. H. White, mas sem a genialidade e a habilidade desses dois autores. Dos sete livros se extraem algumas boas estórias, mas é um livro que eu não aconselho para crianças, que são extremamente influenciáveis.

 

Deixe sua opinião aí nos comentários, beleza?

Abraço,
Thiago Henrik